sábado, 12 de janeiro de 2008

Up the River


As montanhas que vejo ao fundo do rio onde o meu pequeno barco flutua têm dias que parecem querer beijar-se. No seu amor puro, movem-se as águas para que as eixem encontrar-se.

Mas o amor delas custa-me a viagem. Pois no dia em que se encontrarem, o caminho que ficou reservado para o rio ficará traspassado pela terra, intransponível, como se de uma punição se tratasse.

De uma punição por ter trazido um pequeno barco, quando eles me disseram para esperar e trazer uma caravela.

Quando eu me fiz ao rio, quando eles me disseram para esperar poder fazer-me ao mar.

Quando eu preferi fazer a jornada sozinha, quando eles me disseram para esperar até que me escolhessem um guia.

Sabem que mais? Não me arrependo.

Ainda que as montanhas se beijem, o rio seja separado e eu tenha de nadar até à margem, sem ajuda de ninguém.

Porque ao menos o barco foi escolhido por mim, o destino do rio é tão desconhecido como o do mar e, ainda assim, mais amigável, e a companhia esperar-me-á do outro lado.

Se tiver de voltar à margem, farei o caminho a pé e, ao menos, posso admirar a maravilha que pode ser um beijo.